sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

José de Alencar

Meus alunos costumavam dizer que ele era o meu queridinho, confesso que eles estavam certos, José de Alencar é um dos meus romancistas prediletos, talvez o mais perfeito, tem o estilo elegante, com descrições e cenários que enfeitiçam o leitor, sem contar com a capacidade de conduzir e construir a trama, fazendo com que o leitor fique preso e só sossegue quando ler a última página.

Aos 10 anos peguei um livro pequeno cuja capa me instigou, um homem robusto, de cabelos brancos, com uma corda amarrada na cintura puxava um barco com um rapaz , tratava-se de Cinco Minutos , não sei quantas vezes li esse pequeno romance, só sei que fui fisgada e desde então entraram em minha lista A Viuvinha, O Tronco do Ipê, Lucíola, Til, Senhora, A Pata da Gazela, Diva, O Guarani, Iracema, O Sertanejo ... Nessas obras, damas e cavalheiros desfilam , apresentando costumes e lugares.

Deixo dois links importantíssimos, o primeiro é o Domínio Público que além das obras que citei, tem a bela carta Como e por que sou romancista além de outros títulos . O segundo link é o da Biblioteca virtual de literatura que apresenta diversos autores.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A viagem de Théo

Confesso que esse livro me conquistou aos poucos, na verdade quando eu me despi de alguns preconceitos comecei a me encantar com a trama... meus preconceitos não eram religiosos, estavam relacionados muito mais à maneira como a história seria contada, não tenho muita paciência para romances infanto-juvenis e imaginei que estava diante de mais um deles, ledo engano... a história é boa, e a maneira como as religiões são inseridas nas aventuras e nos jogos é muito equilibrada.
Aprendi muito e até me emocionei no final... é preciso respeitar a crença do outro, mesmo que o outro não acredite.
Deixo a oração, um dos meus trechos prediletos deste livro:



“Ide tranqüilamente entre o tumulto e a pressa e lembrai-vos da paz que pode existir no silêncio. Sem alienação, vivei tanto quanto possível em bons termos com todas as pessoas. Dizei calma e claramente vossa verdade, e ouvi os outros, mesmo o pobre de espírito e o ignorante; eles também têm sua história. Evitai os indivíduos barulhentos e agressivos, eles são um insulto para o espírito. Não vos compareis com ninguém: correríeis o risco de vos tornar vaidosos. Sempre há alguém maior e menor que vós…
Desfrutai vossos projetos, assim como vossas realizações, sede sempre interessados em vossa carreira, por mais modesta que seja: é uma verdadeira posse nas prosperidades mutáveis do tempo. Sede prudentes em vossos negócios, porque o mundo está cheio de malícias.
Mas não sejais cegos no que vos concerne ? virtude que existe: vários indivíduos buscam os grandes ideais e em toda parte a vida é repleta de heroísmo. Sede vós mesmos. Sobretudo não simuleis a amizade! Tampouco sede cínicos no amor, porque em face de qualquer esterilidade e de qualquer desencanto ele é tão eterno quanto a relva…
Aceitai com bondade o conselho dos anos renunciando com graça a vossa juventude. Fortalecei a prudência de espírito para vos proteger em caso de infortúnio repentino. Mas não vos aborreçais com quimeras! Numerosos temores nascem da fadiga e da solidão…
Para lá de uma disciplina sadia, sede ternos convosco mesmos. Sois filhos do universo, tanto quanto as árvores e as estrelas: tendes o direito de estar aqui.
E, percebais ou não, o universo se desenrola sem dúvida como deveria. Estai em paz com Deus, qualquer que seja vossa concepção dele e, quaisquer sejam vossas obras e vossos sonhos, guardai no desconcerto ruidoso da vida a paz em vossa alma. Com todas as suas perfídias, as suas tarefas fastidiosas e os seus sonhos desfeitos, o mundo é belo! Prestai atenção… Tratai de ser felizes.”
“a viagem de théo”, páginas 613-614

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